Primeiro de março
"Escrevi frases soltas pelo chão
Esperei você dormir
Pra jurar minha paixão"
Ana Carolina - Dentro
Estranho falar de passado quando se tem a impressão – errada? – de que ele ainda não passou. Nasci sob o signo das indecisões, o signo social, rodeado e rodeando, que nem sempre foge à regra e acaba atrapalhado entre o próprio desvario burro do término. Mas ainda sou, no zodíaco, a balança que equilibra – e nela, lugar para dois, saudade por duas.
Isso não é um apanhado, há tanto para lembrar que não caberia num curto espaço de linhas, muito menos num lugar onde eu, mais inteira que metade, me divido ao meio entre o antes e o depois. Não importa, ainda temos o agora e o amanhã. Esse, cercado de quadrados coloridos cheios de significado e uma bailarina rodopiando quando uma caixinha especial é aberta. A lista é enorme, quase não cabe mesmo: de Novos Baianos a Skank, uma infinidade de músicas que a gente tem. Você já pensou nisso? Que qualquer letra que eu acompanhe tem muito de você? E aquele velho complô no rádio pra que eu cante mesmo que o mundo acabe, enfim, dentro de tudo que cabe em ti...
Continuo bebendo quase todas as noites, semana a semana, e em cada pessoa que conheço ou reencontro procuro um pouco de você. Natural, embora, obviamente, eu já soubesse que não encontraria nada sequer parecido. Certos gestos são singulares e, confesso, é muito difícil achar a tua leveza em alguém. Que bom, isso te torna única dentro e sobre mim com teu sorriso do tamanho do mundo, os cabelos que você nunca prende, um anel discreto e totalmente inverso aos meus brilhos exagerados, uma mochilinha minúscula em que não caberia metade das minhas coisas de mulherzinha... Desisto de buscar teu rosto nos outros e acabo achando teu perfume suave pelo quarto, tuas coisas pelos cantos e pedacinhos constantes de você pelos meus dias.
Espero que não se importe, às vezes é preciso escrever para juntar pedaços e eu escrevo para juntar vidas. Escrever é como abraçar, a diferença mais latente é que o escritor abraça a si mesmo já esperando o simplismo de quem o lê. A estação da escrita é o inverno mesmo que no começo de março, logo... busco um pouco de calor e saio por aí, sem fugas nem medos, atrás de amor.
Mesmo entre altos e baixos tivemos um ano firme, bonito, da gente. E quando me descobri realmente apaixonada por quem continua valendo a pena nem tive vergonha alguma de assumir tudo o que isso afirma, me percebi, também, incapaz de fazer algo que não fosse lutar por recomeços diários.
Milhares de coisas empilhadas, atividades pramanhã e decidi não fazer nada. Que o mundo se perca porque, agora e sempre, o mais importante é estar com você.
Meu Bem.

7 comentários:
que saudade de ver isso aqui em dia, finalmente.
"Desisto de buscar teu rosto nos outros e acabo achando teu perfume suave pelo quarto, tuas coisas pelos cantos e pedacinhos constantes de você pelos meus dias."
eu sei bem como é isso. a na certeza de que não encontraremos nada parecido nessa busca que, por teimosia, prolongamos, nós bebemos ainda mais...
quantas mais júlias e carolinas e thalitas eu terei que encontrar para descobrir que a paixão é um mar a perder de vista que, mesmo tendo um mapa nas mãos, às vezes a gente nunca sabe aonde vai dar?
às vezes eu acho que 2007 está se repetindo nos relacionamentos do meu 2010.
saudades.
Eu vou ficar aqui, quietinha, só lendo e relendo, lendo e relendo..
Você transcreve poesia, Ni. É doce e suave a cada linha escorrida por entre teus dedos e eu suspiro esse amor triste e bonito e feliz e misturado.
É.
O quê que sempre falta.
Já te falei mais de uma vez que sempre que estou triste, venho brincar no seu quintal, né?!
E desta vez também não foi a primeira que identifico meu presente vazio, num quintal cheio de palavras certas...
Quantas semanas mais vou ter que beber pro tempo entender que ele tem que passar, hein?! E quantas semanas mais passarão pro tempo fazer com que os sentimentos mudem...
Aafff
Esqueça as chorumelas ai em cima... bom mesmo é ver que vez ou outra vc volta pra dizer coisas!!
seus textos são de uma profundidade encantadora... esse em particular é maravilhoso... e Ana Carolina, nem preciso comentar.
Que coisa linda, mesmo que a incógnita não tenha sido descoberta, que ainda haja um buraco, que exista um quê faltando.
Sentimentos e buscas são admiráveis.
Esse doeu mais que os outros baby...
Como já disse minha amiga Ana, tô aí inteirinho.
Eu não conseguiria fazer um texto assim que fosse tão leve e profundo ao mesmo tempo.
Parabéns!
Grande abraço
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