10 março 2010

Primeiro de março

"Escrevi frases soltas pelo chão
Esperei você dormir
Pra jurar minha paixão"
Ana Carolina - Dentro


Estranho falar de passado quando se tem a impressão – errada? – de que ele ainda não passou. Nasci sob o signo das indecisões, o signo social, rodeado e rodeando, que nem sempre foge à regra e acaba atrapalhado entre o próprio desvario burro do término. Mas ainda sou, no zodíaco, a balança que equilibra – e nela, lugar para dois, saudade por duas.

Isso não é um apanhado, há tanto para lembrar que não caberia num curto espaço de linhas, muito menos num lugar onde eu, mais inteira que metade, me divido ao meio entre o antes e o depois. Não importa, ainda temos o agora e o amanhã. Esse, cercado de quadrados coloridos cheios de significado e uma bailarina rodopiando quando uma caixinha especial é aberta. A lista é enorme, quase não cabe mesmo: de Novos Baianos a Skank, uma infinidade de músicas que a gente tem. Você já pensou nisso? Que qualquer letra que eu acompanhe tem muito de você? E aquele velho complô no rádio pra que eu cante mesmo que o mundo acabe, enfim, dentro de tudo que cabe em ti...

Continuo bebendo quase todas as noites, semana a semana, e em cada pessoa que conheço ou reencontro procuro um pouco de você. Natural, embora, obviamente, eu já soubesse que não encontraria nada sequer parecido. Certos gestos são singulares e, confesso, é muito difícil achar a tua leveza em alguém. Que bom, isso te torna única dentro e sobre mim com teu sorriso do tamanho do mundo, os cabelos que você nunca prende, um anel discreto e totalmente inverso aos meus brilhos exagerados, uma mochilinha minúscula em que não caberia metade das minhas coisas de mulherzinha... Desisto de buscar teu rosto nos outros e acabo achando teu perfume suave pelo quarto, tuas coisas pelos cantos e pedacinhos constantes de você pelos meus dias.

Espero que não se importe, às vezes é preciso escrever para juntar pedaços e eu escrevo para juntar vidas. Escrever é como abraçar, a diferença mais latente é que o escritor abraça a si mesmo já esperando o simplismo de quem o lê. A estação da escrita é o inverno mesmo que no começo de março, logo... busco um pouco de calor e saio por aí, sem fugas nem medos, atrás de amor.

Mesmo entre altos e baixos tivemos um ano firme, bonito, da gente. E quando me descobri realmente apaixonada por quem continua valendo a pena nem tive vergonha alguma de assumir tudo o que isso afirma, me percebi, também, incapaz de fazer algo que não fosse lutar por recomeços diários.

Milhares de coisas empilhadas, atividades pramanhã e decidi não fazer nada. Que o mundo se perca porque, agora e sempre, o mais importante é estar com você.

Meu Bem.

7 comentários:

nono disse...

que saudade de ver isso aqui em dia, finalmente.

"Desisto de buscar teu rosto nos outros e acabo achando teu perfume suave pelo quarto, tuas coisas pelos cantos e pedacinhos constantes de você pelos meus dias."

eu sei bem como é isso. a na certeza de que não encontraremos nada parecido nessa busca que, por teimosia, prolongamos, nós bebemos ainda mais...

quantas mais júlias e carolinas e thalitas eu terei que encontrar para descobrir que a paixão é um mar a perder de vista que, mesmo tendo um mapa nas mãos, às vezes a gente nunca sabe aonde vai dar?

às vezes eu acho que 2007 está se repetindo nos relacionamentos do meu 2010.
saudades.

Clareana Arôxa disse...

Eu vou ficar aqui, quietinha, só lendo e relendo, lendo e relendo..

Mafê Probst disse...

Você transcreve poesia, Ni. É doce e suave a cada linha escorrida por entre teus dedos e eu suspiro esse amor triste e bonito e feliz e misturado.

É.
O quê que sempre falta.

Carla disse...

Já te falei mais de uma vez que sempre que estou triste, venho brincar no seu quintal, né?!

E desta vez também não foi a primeira que identifico meu presente vazio, num quintal cheio de palavras certas...

Quantas semanas mais vou ter que beber pro tempo entender que ele tem que passar, hein?! E quantas semanas mais passarão pro tempo fazer com que os sentimentos mudem...

Aafff

Esqueça as chorumelas ai em cima... bom mesmo é ver que vez ou outra vc volta pra dizer coisas!!

Marcela disse...

seus textos são de uma profundidade encantadora... esse em particular é maravilhoso... e Ana Carolina, nem preciso comentar.

Fran Carneiro disse...

Que coisa linda, mesmo que a incógnita não tenha sido descoberta, que ainda haja um buraco, que exista um quê faltando.

Sentimentos e buscas são admiráveis.

Junkie Careta disse...

Esse doeu mais que os outros baby...

Como já disse minha amiga Ana, tô aí inteirinho.

Eu não conseguiria fazer um texto assim que fosse tão leve e profundo ao mesmo tempo.

Parabéns!

Grande abraço