Pé no Palco
"Em companhia de gravata, desodorante, cueca, sutiã e nenhum ser humano, pessoas com dor de garganta causada por coisas que não se diz mostram suas ideias solitárias até o pescoço."
Perfect Day, do Lou Reed, People Are Strange, do Doors, All My Love, do Led Zeppelin, Nuvem Passageira/Sósereiseuseforsó, do Karnak e Should I stay or should I go?, do Clash: músicas-tema das primeiras peças da Nina atriz.
Gravatas coloridas, rostos pintados... Agonia Relaxada com Irritação e Maracujá.
Ainda consigo sentir na pele a primeira cena: elenco no chão, acordando de um constante piloto automático e se empurrando em silêncio com toda a força do mundo numa intensidade letárgica enquanto Oh, it's such a perfect day / I'm glad I spent it with you / Oh, such a perfect day / You just keep me hanging on tocava bem alto.
Ainda consigo resgatar a atmosfera da Bárbara e todo o seu subtexto, cada significado oculto ou implícito por trás de suas palavras e ações. Ainda seria capaz de reviver a gagueira, as manias e os movimentos contidos dessa mulher peculiar que enxergava a vida de longe, quase como testemunha do existir alheio. Ela, tão diferente de mim e a quem dei corpo e voz, seus óculos tortos, suas observações sobre as pessoas e o mundo, com seu fiel escudeiro sempre à mão: A mulher de trinta anos, de Balzac.
Todos aqueles maracujás abertos espalhados, o cheiro forte da fruta invadindo todo o espaço, o caos dos personagens apaziguado – e, ao mesmo tempo, alimentado animalescamente – pela passion fruit, o barulho da explosão de centenas de latas de cerveja em cima da gente no palco anunciando que aquela peça havia terminado. Mas nunca, nunca termina!
"Nada mostra o que queremos expressar!
Poderíamos ter uma conversa a sós?
Socorro! Por favor, eu gostaria de ficar sozinha.
E assim vai: hoje peço socorro,
amanhã exijo minha solidão."
S.Ó.S - do (sempre) Grupo Trufas de Teatro



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