Oh Lord, won’t you buy me?
Eu deveria abrir a vodka e ligar trust in me, baby, give me time, gimme time, please, a littlemore time bem alto, mas preferi parar de beber e entregar os pontos. Tem gritos que o álcool não sufoca, a gente bebe mais e não importa se o chão é a rua ou o jardim de casa. Não importa, a embriaguez é a mesma e a tontura de viver permanece em que estado for. A única diferença perceptível fica escancarada no rosto: pessoas sãs carregam menos filosofia. A sanidade não permite divagações, a vida quer ser vivida, vamos ao que se deve.
Tanto que cansei, fecho os olhos e a alma fatigada, cama e dia seguinte. Renovo, sorrio, transbordo e recrio, um viva à pureza das águas. Viva Caio de cada dia, seus escritos não me faltarão, toda manhã é dia novo que cai em mim. Eu tombo e decido: hoje não bebo mais. Ontem não me seguraram, um tombo que doeu na carne, mas não foi a coisa mais dolorida que me aconteceu – palavra dói mais que asfalto quente na pele.
Descobri que não gosto tanto de chicletes coloridos em dias de sol nem de paçoquinhas a qualquer hora. Descobri que não entendo nada de literatura e que sinto receio de Nelson Rodrigues. Descobri que certas coisas fortes não precisam ser ditas com tanta dureza, é sempre bonito ter pitadas de sonho na boca. Descobri que sonhei e cansei, poesia só mora nos livros.
Paredes rabiscadas de histórias precisando de pintura nova e eu cheia de preguiça de pintar. Apagar coisas antigas não exige tempo nem prática, é preciso coragem. Há letras que apagam sozinhas e somem num passo de mágica de dentro da gente, são clicks instantâneos em quê.
— Sem mais babaquice, mulher, que a Janis tá passando com a Mercedes Benz pra te pegar.
Tanto que cansei, fecho os olhos e a alma fatigada, cama e dia seguinte. Renovo, sorrio, transbordo e recrio, um viva à pureza das águas. Viva Caio de cada dia, seus escritos não me faltarão, toda manhã é dia novo que cai em mim. Eu tombo e decido: hoje não bebo mais. Ontem não me seguraram, um tombo que doeu na carne, mas não foi a coisa mais dolorida que me aconteceu – palavra dói mais que asfalto quente na pele.
Descobri que não gosto tanto de chicletes coloridos em dias de sol nem de paçoquinhas a qualquer hora. Descobri que não entendo nada de literatura e que sinto receio de Nelson Rodrigues. Descobri que certas coisas fortes não precisam ser ditas com tanta dureza, é sempre bonito ter pitadas de sonho na boca. Descobri que sonhei e cansei, poesia só mora nos livros.
Paredes rabiscadas de histórias precisando de pintura nova e eu cheia de preguiça de pintar. Apagar coisas antigas não exige tempo nem prática, é preciso coragem. Há letras que apagam sozinhas e somem num passo de mágica de dentro da gente, são clicks instantâneos em quê.
— Sem mais babaquice, mulher, que a Janis tá passando com a Mercedes Benz pra te pegar.

17 comentários:
já faz um tempão!
Mas receio do Nelson?!?!?!?!?!
oh, Lord!
Eu sabia q você não ia amar as durezas todas que ele conta, mas a vida é dura, baby. No mais, é tudo como ele mesmo disse certa vez:"tudo é falta de amor".
Se o mundo fosse assim um tantinho mais bonito, talvez as quedas que a gente leva depois dos sonhos não doessem tanto...talvez...
Acontece que o mundo é ruim e os dias, quando não são cinzas, acabam sempre em noite. E há rosas que têm as hastes de arame farpado...
Descobri que sonhei e cansei.
Aí eu fui viver.
Tantos beijos!
De vez em quando ele vem e pega a gente de jeito, o inverno (com toda a licença poética da palavra).
viver doi...você da topas o tempo inteiro e pesado
agora sonhar...
Eu quero uma carona, então!
eu acho muito proveitoso quando vc bebe... vc fala as coisas de um jeito tão mais neutro.
e não pinta não... pelo menos não tudo, só uma parte...senão deixa de ser vc
sem essa pitada de sonho, me parece que tudo perde um pouco o sentido. li hoje, lá pela 1h da madrugada, na porta do bar: só viver é que é viver.
abraços Nina
,)
Que delícia, esse seu texto. Sabe, acho muito leval quando tenho meus dias de aprender mais com a vida, de enxergá-la com novos olhos, de forma mais prática e aceitar essas mudanças, abrir-me pro novo. Isso é edificante, né? Adorei seu texto, nina! O mais sábio deles que li até hoje. Meu beijo,
Ziggy
eu tenho um pouco de medo do Nelson Rodrigues, a mulher dele devia sofrer... alias, ele tinha mulher?
Gostei muito dos toques mais concretos dados à sua prosa. Ela fica mais perto quando você escreve assim,aproxima mais a poesia do cotidiano.
Você é um talento.
Quando tiver um tempinho, passe lá no Spleen rosa chumbo. Tô rasgando o meu coração pros amigos verem, só pra exorcizar.
Grande abraço
P.S.ah, vc não se cansou não, se não, você jamais estaria escrevendo
Acho que vou gostar de conhecer mais isso aqui.
ahhhh, amo chicletes!
;)
Adorei o tempero do teu enredo.
Está adicionada lá no meu blog.
Bjos.
Nossa, Nina, obrigado mesmo pelos comentários lá no Acepipes. E fico feliz que minha carta tenha te tocado de alguma forma. Sabe que eu estava meio com medo de publicar, mas no fim valeu a pena ter postado aquilo só para ler comentários como o seu.
E, ah, poxa, volta a escrever, vai...
Oh Lord! Que saudade desse mundo mágico daqui!
Bjaaaao, e viva o Caio de cada dia.
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