Retroativa
Tenta alguma coisa fora de si, mesmo quando só enxergam sorrisos e ainda há vazio dentro daquela coisa coração. Não sabe se algo realmente valeu a pena, fato é que tudo ensinou: sentimentos geralmente implicam confusões. Viver implica morrer de amor e, se contradições existem, são todas do outro. Já não entende, não esquece, não partilha, nega: uma cerveja, por favor. Se limões fazem caipirinhas e risadas na noite de Revéillon, mesa de bar hoje faz arrependimento e sensação de burrice estampada no rosto, em contraste com todo o rubro do resto que começou janeiro.
Ansiedade já não mais. Não rói as unhas nem acompanha seu crescimento, não deseja o esmalte vermelho nem nada, nada, nada, não; e hoje teve vontade de afogar as mágoas no passado. Chove forte, pingos gordos caem na janela e o vidro embaçado absorve a respiração de alguém que sobrevive naquele apartamento pequeno. O cheiro de terra invade os andares – mora no segundo, mas nunca soube direito onde vive.
Nada de nexo, e quem falou em nexo assim? Nunca existiu coerência, sentimento não é bola de futebol e ninguém merece chutes. Se existisse coesão aqui, a história não seria esta e, francamente, eu taria é bebendo cachaça na esquina. Acontece, meu bem, que pinga desce rasgando e, desse jeito, eu já tenho tudo que eu lembro. Essa coisa de beber drinkzinho em lounge de gente chique é pura balela, tá todo mundo com a mesma dor.

21 comentários:
todos estão na sarjeta mais só alguns conseguem ver as estrelas antonina!
Treli o texto, dona Nina, e tive que remexer na estante dos livros pra poder encontrar algo que fizesse sentido-além.
Encontrei num poema d'ode mundana os versos que podem servir como chave pro teu escrever:
"como não doer na queda da chuva?
como não vestir a túnica da desolação?"
E como não suspirar ao teu lado e apenas concordar num silêncio embalado de fumaça e branca resignação?
Uma smirnoff, que a gente merece, vai!
A retroativa mais linda e mais doída que li nesse fim de ano... ai, minha maga das palavras que machucam e alegram!
Bjos lindos
Está todo mundo com a mesma dor...
Belos pingos gordos de tinta preta nesta sua metadinha ^^
ogartseodèotsogue
=]
eu já vim aqui dias atrás e estou voltando agora, as palavras ainda não chegaram.
eu vivi cada fonema desse texto, juro.
você é foooooda, fato.
beijo
"pingos gordos caíam através da janela e o vidro embaçado sentia a respiração de alguém que vivia por aquele apartamento pequeno"
Pingos gordos...pesados demais.
Vc tenta, tenta, tenta explicar pq ama desse jeito. mas vc dá voltas e voltas e mais voltas e percebe q não conseguiu sair do lugar e nem conseguiu com palavras falar nada, dizer nada, contar nada.
e vc tenta de toda maneira possível contar pro mundo q 5 minutos são suficientes pra se perder em sorrisos e piadinhas sonsas, entre pensamentos marcianos e gargalhadas parisienses. mas não, vc nunca vai conseguir expressar nada.
pq isso tudo é puramente inexplicável.
bjo
'tá todo mundo com a mesma dor'
nossa, adorei e o texto. essa coisa de disfarçar em mesa de bar. adorei.adorei o modo de você escrever =]
vou te linkar no meu blog para vir sempre aqui ok?tem problema?
beijos.
e a chuva de pingo de alivios, estou esperando.^^ obrigada pela dica, vou ser mais atenciosa. rs
"Nada de nexo, e quem falou em nexo assim? Nunca existiu coerência, sentimento não é bola de futebol e ninguém merece chutes. "
Adorei!
vou te linkar certo? gostei muito mesmo do que você escreve!
beijos! :*
aaah que bom que você gostou! Ainda estou começando nessa coisa de escrever em blogs, ainda tenho muito a melhorar!
adoro, adoro seu blog! :*
exato, todo mundo com a mesma dor. Deveria ser o mesmo bar, e a cerveja então deveria ser de graça!
voltei de Curitiba domingo, pretendo ir muitas vezes - sabe, tenho um motivo a mais que me faz chorar e dá saudade. Quem sabe a gente se esbarra por aí, do outro lado da rua. :)
Parece que tem muito de mim aí. Tantas coisas que a gente controla pra dizer, tantas coisas que a gente despista, mascara, porque a sociedade nos ensina a ser "discretos", sendo que tem horas o bom é soltar tudo da forma mais catártica possível, de modo que consigamos purgar a alma. Isso tem um pouco a ver com a cachaça, desce rasgado e queima. O sentimento que ebule às vezes poderia sair rasgado, queimando... Isso faz bem. Que se dane a coesão, a coerência, tem hora que o bom é chutar o balde, se jogar e nemli como diz a Nathália d'Ávila. Interessante seu texto! Abreijos!
Gostei muito. Você tem poesia e brinca com as palavras. Gosto porque me lebra Rubem Alves e as coisas boas da vida. O texto é triste, certo; mas toda tristeza tem sua beleza. Sim, todo mundo partilha a mesma dor. Essa dor que insisite...
Abraço
Isso é bonito demais. E não precisamos entender, só deixarmos as coisas irem acontecendo e surpreendendo a gente... :)
nossa, parece q tu tá falando de mim! e me ver de fora assim até alivia o coração... lindas palavras, querida!
beijos e feliz ano novo, cheio de arte e poesia para ti!
:)
respondendo a um comentário que vc ja fez faz um tempo lá no Camelos Lendo... Aquele texto do cario é o mais especial de todos pra mim. É o que eu mais gosto.
Beijo, juba
caio*
'Essa coisa de beber cervejinha em bar de gente chique é pura balela, tá todo mundo com a mesma dor.'
uma vez me disseram que o bom da dor é que a gente pode ir beber num boteco da vida e só alí conseguimos sentir o cheio que sai do ralo.
saudade dos teus dizeres, nina!
beeeijo
realmente, no fundo, rico ou pobre, sentem a mesma dor do amor ou não sente dor nenhuma né!
Adoro seu blog!
bjoo
“tá todo mundo com a mesma dor”. Meu comentário se concentra nessa frase. Disse tudo Nina! E juro que ultimamente tenho visto exatamente isso nos blogs.
Sabe Nina? Imagino seus textos como uma música sem refrão. Ela está ali, cuspindo as palavras, uma atrás da outra sem parar, mas, sobretudo é uma música e cai bem para os ouvidos. É a sensação que me dá. E em especial lembra-me a minha banda do coração, Cowboy Junkies.
Beijo Ninoca
Postar um comentário