01 Maio 2011

My Life Would Suck Without You

“Because we belong together now, yeah!
Forever united here somehow, yeah!
You got a piece of me, and honestly
My life would suck without you.”

E pensar que, quase sempre, sou eu quem cuida de você. Eu sou mulher, todos aqueles adjetivos meio machistas e (por que não?) protetores usados pra definir o “sexo frágil” aqui. De frágil, apenas o que eu não demonstro pra qualquer um, e você já viu.

Tá errado comparar personalidade forte com auto-suficiência. Por baixo dessa teimosia, a dura casca que eu cultivei nestes anos todos, desse cabelo e dessas unhas vermelhas, tem alguém que sim, também precisa de atenção. Constantemente e mesmo que não assuma, demonstre ou peça.

Algumas mulheres são assim, tentativas de mascarar algo que deveria ser explícito. Não escondemos, deixamos no ar. Não explicamos, na esperança de que, por milagre, vocês entendam e venham, simplesmente. Colo sem culpa, sem perguntas, sem ladainha. Sem riso, porque necessidade não é graça. Admitir que precisamos significa muito mais que a nudez do corpo, porque é nudez de alma.

Me despi pra você aos poucos. De todos e todas que passaram por mim, de todos os rostos que tive, nenhum foi tão certeiro quanto. Você me conhece quase inteira, sabe de cada fraqueza mesmo sem ter visto um ponto ou escrito uma linha em mim. Certas coisas são muito mais que puro corpo, repito: é preciso ser muito mulher pra acabar com os pudores internos; é essencial ser muito homem pra aceitar sem toque.

Cuida de mim, vai, eu tô pedindo. Como se eu ainda fosse aquela menina loirinha e você, aquele garotinho que queria construir o nosso castelo. Duas crianças de cinco anos fazendo planos que, mal sabiam elas, teriam longa data e curtíssima duração. Será? Pela primeira vez, abri mão do meu lado fodona pra escrever em letras garrafais: sim, eu preciso e adoro cuidado. Choro ouvindo Chico Buarque, sou a típica menina dos vestidos leves e floridos, gosto de criança, canto todos os dias, leio sozinha no parque, assisto Glee, junto pessoas, só falo palavrão por costume, adoro cinema a qualquer hora, às vezes uso a bebida pra auto-afirmação, vou periódica/felizmente à igreja, sou voz e violão e só me sinto completa e viva n’um palco. Informações tão irrelevantes que nem precisava dizer, talvez ninguém acredite.

O que eu preciso fazer pra que você perceba que a minha delicadeza tá muito além do que os outros podem ver? Quanto vai demorar pra que você me observe de verdade, intuindo que eu também preciso muito de proteção? Até quando vou ter de assumir a postura ativa nisso tudo? Por quanto tempo ainda vou precisar agüentar e ser forte? Será que o destino vai continuar nos unindo "de forma irônica"? Creio que sim, mas é preciso saber o que fazer com isso. Você aproveitando essa sorte, por quanto tempo mais? Não sei, acho que vou deixar o resto do texto em branco pra que você tente responder direito e sem mil desculpas, ao menos uma vez.

...

Ah, não dá. Te deixo responder isso quando souber de verdade, o que eu sou em você. Pára de ver em mim, um exemplo. Me siga, me investigue por vontade, não por aprendizado. Entenda, sou mais passiva do que pensa, menos forte do que aparento. É que meu lado atriz sempre fala mais alto e acabo no caminho de sempre: sangue-frio. Vontade de ajudar e mania de querer resolver teus problemas mesmo que isso me coloque, inevitável e explicitamente em um patamar inferior ao das paixões arrebatadoras. Te descrevo e guio teus próximos passos como se morasse aí dentro, visualizo partes que talvez, só você conheça e me sinto feliz por ser útil. Aciono a psicóloga que existe em mim e olho pra você na minha frente, me falando novamente sobre um milhão de coisas aleatórias, mulher, álcool e uma vida onde não me insere no contexto. "Útil", é o que eu sou. Era - até hoje.

Se for pra reescrever alguma história, abandone o lápis – borracha demais pra sentimento de menos. Em mim e no meu corpo, adulto, só aceito caneta. Tatuagem definitiva. Amor e doação escritos à mão - tinta guache e lápis de cor compartilhados desde os tempos de colégio.

Tivemos e teremos várias outras pessoas que encantam e deixam marcas. Mas independente de qualquer história que apareça, o fato é: a gente se tem. Desde o primeiro dia, há dezoito anos atrás quando juntamos as mãozinhas e fomos caminhar por aí, diariamente. Isso é tão simples que, às vezes, se torna complicado d'entender. É como misturar a saudade que sinto, a vontade de estar perto mais a maturidade que tenho pra racionalizar tudo isso. É ser tranqüila o suficiente pra absorver a ausência - a idade passa, o carinho não.

E é isso: eu só deixo alguém adormecer aqui dentro desse jeito quando, de alguma forma inexplicável e bonita, vale a pena. O resto, eu jogo fora e mando embora, bato a porta e não relembro nunca mais. Contigo sempre foi diferente, você tem as chaves. Consegue entrar em qualquer cômodo de mim, sempre que quiser e mesmo que eu não autorize.

Meu menino, meu garoto, meu homem-feito. Disse que sou teu tesouro, um dos teus poucos orgulhos. E eu digo que você é parte da minha história, uma grande e singela parte de mim. Até daqui a pouco, até amanhã, até o ano que vem, eu não sei. Não importa, vamos envelhecer juntos e estaremos firmes um pro outro, um pelo outro, você me prometeu. Finjo que acredito, algum de nós vai cumprir.

Podemos relembrar o passado e planejar o futuro, mas o presente tá sendo feito. Por favor, capricha em cada detalhe, tenta avaliar esse tempo e tudo o que há nele, porque o instante mais importante é o agora. E é exatamente nesse nosso tempo tão mal-cuidado, regado a tormenta, que decido me afastar de você. Vou correr o mais rápido que puder pra te deixar um pouco sozinho, aprendendo devagar a como dar o passo n'um tempo em que eu não faço parte do caminho.

Você vai absorver tudo o que leu, sair sem pensar e bater aqui na minha porta pra conversar. Mentira, você é homem. Ok, eu tô seguindo em frente. Enxerga meu cabelo de longe porque só assim vai perceber que antes de ser qualquer coisa tua, eu sou uma mulher. Chateada, mas tentando não olhar pra trás.

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03 Novembro 2010

Pra Ser Sincero

“[...] Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos...”
Engenheiros do Hawaii


Encantamento não é paixão, mas faz estrago do mesmo jeito.

Há dias atrás imaginei como seria se. Parei a frase (e o pensamento) aí: “se”. Não sou mais mulher de suposições, são vinte e três anos de muita luta e, sinceramente, nunca gostei do “talvez”. Sempre preferi a certeza do “não”, ainda que quisesse o “sim”. Percebi que você nunca me deu um “sim” com vontade e de verdade – será que essa palavrinha existe pra nós dois?

Confesso que fujo com facilidade, você já percebeu que não sou tão forte quanto todos pensam – e pintam. Dizem que a força vem da fraqueza, venho aprendendo a lição desde Setembro que, aliás, sempre foi extremamente complicado pra mim. Uma mistura de inferno astral com irritação, vai saber. Ou eu sou mesmo maluca por trás desse cabelo vermelho e dessas unhas compridas que poderiam te matar de vez em quando.

Ok, chegamos à parte que eu tanto escondi durante esses anos todos. Uma música, um bouquet, uma palavra, um carinho, um café da manhã. Ninguém nunca soube, afinal eu tenho de manter atitudes firmes, independentes, totalmente avessa a romantismo e babaquices em rosas vermelhas. Babaquices que eu, secretamente, sempre quis.

Não te peço juras de amor nem pedidos de casamento, acho que somos adultos e o tempo dirá isso por nós. Ou (provavelmente) não. Sou calma o suficiente para que haja espera, mas mulherzinha demais para conseguir isso de verdade. Nunca te pedi nada além de respeito – mas sempre quis muito mais: atenção, abraço, cafuné e beijos, tantos beijos que me deixassem sem ar, sem fôlego, sem chão, sem forças.

Tenho você ao alcance das mãos, da voz, do abraço e do aperto, mas o único gesto que trocamos é o olhar. Acontece que olhar também despe, almeja, incita e alucina, meu caro. À frente de toda a minha postura, há o fato de que eu sou (muito) mulher e você é um homem. Não seja só mais um, quando pode ser o único. Será que você é mesmo um moleque e eu não percebi? Se, de repente, me descobrisse tão ingênua assim, acho que matava você em apenas um golpe. Certeiro, único e definitivo.

Sabe qual o maior problema disso tudo? Você também foge. Do teu passado conturbado, dos teus problemas, do mundo, da vida. Mas tua maior fuga tem o meu nome porque no fundo, aí dentro, você sabe que ninguém consegue se esconder por muito tempo de uma energia maior, seja ela qual for. E nós dois sabemos, você não vai conseguir controlar nem organizar tudo eternamente, virginiano...

Não me faça pagar por algo que aconteceu e te fez mal. Não deixe que o nosso presente conturbado interfira num futuro possível. Não me prive de partilhar o teu riso porque você tem medo de chorar depois. Não deixe de ser sincero comigo, não minta, não fique calado porque você tem o dom incrível de me deixar louca quando fica quieto. Eu quero atitude, eu quero novidade, eu quero intensidade, eu quero você comigo. Não seja idiota, não deixe que as tentativas se percam, não deixe isso virar poeira, virar nada. E não despreze os pequenos começos, a gente ainda pode ter uma história.

01 Março 2010

Primeiro de Março

“Escrevi frases soltas pelo chão
Esperei você dormir
Pra jurar minha paixão.”
Ana Carolina – Dentro


Estranho falar de passado quando se tem a impressão (errada?) de que ele ainda não passou. Nasci sob Libra, o signo das indecisões... O signo social, rodeado e rodeando, nem sempre foge à regra e acaba atrapalhado entre o próprio desvario burro do término. Mas ainda sou, no Zodíaco, a balança que equilibra – e nela, lugar para dois, saudade por duas.

Isso não é um apanhado, há tanto para lembrar que não caberia n'um curto espaço de linhas, muito menos n’um lugar onde eu, mais inteira que metade, me divido ao meio entre o antes e o depois. Não importa, ainda há o agora e o amanhã. Esse, cercado de quadrados coloridos cheios de significados e bailarinas rodopiando quando uma caixinha especial é aberta. A lista é enorme, quase não cabe mesmo: de Novos Baianos a Skank, uma infinidade de músicas que a gente tem. Você já pensou nisso? Que qualquer letra que eu acompanhe tem muito de você? E aquele velho complô no rádio pra que eu cante “mesmo que o mundo acabe, enfim, dentro de tudo que cabe em ti”...

Continuo bebendo quase todas as noites, semana a semana e em cada pessoa que conheço ou reencontro, procuro um pouco de você. Natural, embora, obviamente, eu já soubesse que não encontraria nada sequer parecido... Certos gestos são singulares e confesso, é muito difícil achar a tua leveza em alguém. Que bom, isso te torna única dentro e sobre mim com teu sorriso do tamanho do mundo, os cabelos que você nunca prende, um anel discreto e totalmente inverso aos meus brilhos exagerados, uma mochilinha minúscula em que não caberia metade das minhas coisas de mulherzinha... Desisto de buscar teu rosto nos outros e acabo achando teu perfume suave pelo quarto, tuas coisas pelos cantos e pedacinhos constantes de você pelos meus dias.

Espero que não se importe, às vezes é preciso escrever para juntar pedaços e eu escrevo para juntar vidas. Escrever é como abraçar, a diferença mais latente é que o escritor abraça a si mesmo esperando o calor simples daquele que lê. Se é verão, espera um sorriso. A estação constante curitibana é o inverno, mesmo que no começo de Março, logo... Busco um cachecol e saio por aí, sem fugas nem medos, atrás de amor.

Entre altos e baixos de Libra, tivemos um ano firme, bonito, da gente. E quando me descobri realmente apaixonada por quem continua valendo a pena nem tive vergonha alguma de assumir tudo o que isso afirma, me descobri também, incapaz de fazer algo que não fosse lutar por recomeços diários.

Milhares de coisas empilhadas, trabalhos pr’amanhã e não vou fazer nada.

Que o mundo se perca porque agora e sempre, o mais importante é pensar em você.
Meu Bem.



“Tentei voltar e pude ver o quanto errei.
Te amei mais que a mim...”

03 Outubro 2008

Para ver as meninas brotando

Só quero dizer a você que te deixo e por mais que eu te queira demais, a vida não gosta de esperar, a vida é pra valer, a vida é pra levar. A você, só quero que continue aí, lendo Dulce Veiga e testando os limites desse jogo de palavras pr’eu te descobrir aos poucos, leveza, confissão, impulso, ficar olhando e imaginar coisas que aconteceriam se. A você, ruiva, poxa, volta pra cá, te acolhe no meu ombro e aprende que é tudo um puta banho de água fria. A você, voa alto, voa imensamente alto e alcança os pontos onde eu ainda não consegui tocar - por você, tudo é passo, tudo eu posso. A você, mostra as pernas de novo nesse short xadrez, vai, deixa os pés descalços e as sandálias jogadas, me fala de Libra como quem conhece meu zodíaco interno. A você, clareante, toma todos os meus tons de vermelho pra tua felicidade. A você, saia daqui, gente inconveniente não se abriga. A você que não m’escuta mais, acorda e vai engolir o mundo, agora! A você que nunca vai saber, eu te espreito todos os dias, uma atriz sabe o que faz e disfarça vontades. A você, a viagem mais importante de todas, quando descobri que anjos vivem em São Paulo. A você, vamos deitar na grama e abraçar em todos os domingos até a velhice do corpo, ser Velma e Roxy em noites cheias de cor. A você, fecha os olhos, cai inteira, sem culpa e sem medo nessa coisa de se apaixonar - é que dor de amor não dói. A você, ô, a você eu só tenho a agradecer porque entendi mais de ser feliz, real, completa e simples depois que você apareceu. A você, quero que entenda que sentimento pela metade não se aceita. A você que transcendeu, todas as vezes em que precisei lembrar que você ainda existe em mim pr'eu continuar vivendo. A você, loucureia, morena, loucureia! A você, leãozinho, me dá mais do teu sorriso, dos teus colares e da tua poesia, eu te cubro de calor. A você, o nascer e o pôr-do-sol, porque os teus cabelos loiros fazem o céu ter mais leveza e importância. A você, a gente ainda canta Cartola num boteco qualquer do país. A você, não jogue a culpa em mim pela tua ausência. A você, desculpa os meus maus-jeitos e os meus sumiços. A você, faz voltar pra mim, a tua voz suave e calma? A você, agüenta firme e continua em pé, eu te seguro forte. A você, todas as palavras que eu nunca vou conseguir dizer. A você, guardados, todos os meus livros e flores de quinze anos atrás. A você, todas as nossas doses de tequila, todos os nossos brindes durante todos esses anos lindos que você me deu e os dias de hoje que você me dá. A você, algumas saudades que eu não assumo, por puro orgulho – ou desistência. A você, muitas coisas pra contar e vários conselhos pra pedir, quero te mostrar que a porra-louca permaneceu. A você, o meu beijo de verdade e a única bossa que eu fiz nessa vida, mesmo que as coisas não terminem em samba.

24 Agosto 2008

Click!

Meus grandes lábios abertos a ti, sossegam.
Teu gosto na minha boca, cuidado: paixão não é pra ser digerida.

De todos os nossos planos, restou uma viagem de avião que nunca vai ser de verdade. Meu medo de altura não permite longos períodos na Europa e sejamos francas: atividades que necessitem boa vida financeira não são para mim. De todas as nossas literaturas, um livro lindo e cheio de delicadezas. Sobre nossas escritas, cartas em letras legíveis - as minhas pequenas e azuis. As tuas redondas e grandes ocupavam grande parte das linhas e de mim. Vários risos tivemos. Vieram nossas besteiras, éramos presença de Anita constante e a cantora loira de Soul. Éramos as nossas cervejas do primeiro dia, éramos os beijinhos estalados noite após noite. De todas as minhas saudades, são sempre os teus cabelos, o teu blush, os teus olhinhos estrelados e uns grandes pedaços de você, pequena. De todas as nossas brigas, de todos os meus poemas, de todas as tuas dúvidas, restou um quê de (fim).

Ou nada.

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Coisa Mais Bonita,

Você é mais bonita que a flor, mas sinto. Nem o mel, nem Idgie, nem Ruth, nem teus brilhos em mim podem voltar atrás. A vida já não é mais tão doce, vinho quente só aos namorados, a primavera chega em Setembro e nem sei se ainda haverá crescentes (lembra-te?). Álvaro de Campos para tempos ridículos, velhas bossas para um tempo velho, sou librianíssima em tempos de sempre. Às vezes, é melhor andar a pé e enxergar que opções são também, escolhas. Tu fizeste a tua, pois bem: viver é melhor que sonhar, continua cantando Elis. E o amor, nem sempre, é uma coisa boa.

Nii,
Dez de Agosto de 200
8

28 Julho 2008

Oh Lord, won’t you buy me?

Eu deveria abrir a vodka e ligar trust in me, baby, give me time, gimme time, please, a littlemore time bem alto, mas preferi parar de beber e entregar os pontos. Tem gritos que o álcool não sufoca, a gente toma mais e não importa se o chão é a rua ou o jardim de casa. Não importa, a embriaguez é a mesma e a tontura de viver permanece em que estado for. A única diferença perceptível fica escancarada no rosto: pessoas sãs tornam-se menos filosóficas. O tempo não permite que existam divagações, a vida quer ser vivida e é o que se deve.

Tanto que cansei, fecho os olhos e a alma fatigada, vou pra cama e acordo só no dia seguinte. Renovo, sorrio, transbordo e recrio, viva o suco. Viva Caio de cada dia, toda manhã é um dia novo que cai em mim. Eu tombo e decido: amanhã não bebo mais. Não me seguraram ontem, o tombo doeu na carne, mas não foi a coisa mais dolorida que m’aconteceu, que pena. Palavra dói mais que asfalto de rua na pele.

Descobri que não gosto mais de chicletes coloridos em dia de sol, nem de paçoquinhas a qualquer hora. Descobri que não entendo nada de literatura e sinto receio de Nelson Rodrigues. Descobri que há certas coisas fortes que não precisam ser ditas com tanta dureza, é sempre bonito ter pitadas de sonho no que se faz, embora sonhos cansem, um dia. Descobri que sonhei e cansei.

Friozinho, algumas folgas no trabalho e cachecóis dispostos a sair do armário. Paredes precisando de pintura nova e eu, cheia de preguiça de pintar. Apagar coisas antigas não exige tempo ou prática, mas sim, disposição. Há letras que apagam sozinhas e somem num passo de mágica de dentro da gente. São clicks instantâneos em quê.

Sem mais babaquice, mulher, que a Mercedes Benz da Janis tá passando pra te pegar.

(Dezenove de Abril de 2008.)

26 Junho 2008

Last Request

Um dia difícil, eu tive. E não sei se as coisas só deram errado para que pudessem melhorar mais tarde ou se a única coisa que valeu foi depois, quando ela chegou. Toda a frustração das oito horas anteriores às oito da noite passou num segundo, quando a única coisa que eu quis foi te abraçar.

Achei que a chuva viesse hoje. Receei que o frio viesse mais forte porque não havia ninguém que m’esquentasse o pescoço ou acarinhasse a nuca... Protegi-me com o cachecol preto, vesti uma blusa quente e vermelha, escondi as unhas também vermelhas com luvas e calcei o All Star. Era branco, quase tão branco quanto a folha de papel em que eu t’escrevo agora.

Todas as minhas ações de hoje tinham um pouco de você. Todas as pessoas, todos os cantos, todos os encantos. E no meio de brigas sem propósito algum, você fez feliz quando, por um segundo, fechei os olhos e lembrei do primeiro dia em que eu m’encantei por você. E por esse sorriso gigante, essas bochechas rosadas, esse cabelo bonito, esse ciúme querido... Toda essa lista sem fim de pequeninas coisas tão somente suas, tão grandes para mim.

As ruas estavam cheias, elas realmente enchem de gente no inverno e eu sei o motivo: as pessoas se abraçam mais no inverno. Talvez para enganar o vento, talvez porque não tenham a vergonha que se vê no verão quando todos se afastam, o contato físico é infinitamente menor e não se vê a Rua XV cheia de formiguinhas abraçadas tomando vinho quente. Tudo tão bonito que chego a pensar: meus sentimentos só costumam aparecer no inverno. Um romantismo escondido curitibano que adora os cachecóis e detesta o calor não-humano do verão.

Eu tinha um livro nas mãos ("Aos Meus Amigos", uma história bonita), acaso as coisas demorassem e eu precisasse mesmo esperar. Tudo bem, esperas são realmente valiosas quando se espera por algo tão essencial. E não importa a altura, o peso, a quantidade e nem ao menos o conteúdo do que se espera. Se houver carinho, se houver sentido, espera-se até o ar.

Passava das oito horas, a lua no céu, o vinho quente nas mãos dos namorados e eu. Ali, lendo e tornando a espera ainda mais bonita. E quando chegou, só consegui sorrir e agradecer. Se eu tivesse os teus olhinhos d’estrelas, eles teriam brilhado junto da lua no céu. Sorri, e sei que esse sorriso podia iluminar mais que o sol porque era um sorriso de felicidade. Tive você ao alcance das mãos e dos olhos, até da voz, se quisesse. Mas não consegui, você roubou todas as palavras que eu tinha e voltei para a casa assim, calada. As pessoas olhavam e eu sabia de alguma forma que conseguiam ler o que eu pensava, admirando a cidade escurecer pela janela do ônibus: a vida é doce.

Não pedi que o tempo passasse rápido porque aprendi que a espera pode ser linda - e realmente foi. O tempo chegou e foi agora, há alguns minutos atrás. Tempo em que eu quis, mais que todas as vezes,
te abraçar.

Te abraçar, meu maior amor de todos os invernos.

Nii

04 Junho 2008

Poeminha de Junho

longa vida
é o que se
leva

boa sorte
é o que me
traz

cada dia, uma
saudade

duas noites:
beijo a
mais