My Life Would Suck Without You
“Because we belong together now, yeah!
Forever united here somehow, yeah!
You got a piece of me, and honestly
My life would suck without you.”
Forever united here somehow, yeah!
You got a piece of me, and honestly
My life would suck without you.”
E pensar que, quase sempre, sou eu quem cuida de você. Eu sou mulher, todos aqueles adjetivos meio machistas e (por que não?) protetores usados pra definir o “sexo frágil” aqui. De frágil, apenas o que eu não demonstro pra qualquer um, e você já viu.
Tá errado comparar personalidade forte com auto-suficiência. Por baixo dessa teimosia, a dura casca que eu cultivei nestes anos todos, desse cabelo e dessas unhas vermelhas, tem alguém que sim, também precisa de atenção. Constantemente e mesmo que não assuma, demonstre ou peça.
Algumas mulheres são assim, tentativas de mascarar algo que deveria ser explícito. Não escondemos, deixamos no ar. Não explicamos, na esperança de que, por milagre, vocês entendam e venham, simplesmente. Colo sem culpa, sem perguntas, sem ladainha. Sem riso, porque necessidade não é graça. Admitir que precisamos significa muito mais que a nudez do corpo, porque é nudez de alma.
Me despi pra você aos poucos. De todos e todas que passaram por mim, de todos os rostos que tive, nenhum foi tão certeiro quanto. Você me conhece quase inteira, sabe de cada fraqueza mesmo sem ter visto um ponto ou escrito uma linha em mim. Certas coisas são muito mais que puro corpo, repito: é preciso ser muito mulher pra acabar com os pudores internos; é essencial ser muito homem pra aceitar sem toque.
Cuida de mim, vai, eu tô pedindo. Como se eu ainda fosse aquela menina loirinha e você, aquele garotinho que queria construir o nosso castelo. Duas crianças de cinco anos fazendo planos que, mal sabiam elas, teriam longa data e curtíssima duração. Será? Pela primeira vez, abri mão do meu lado fodona pra escrever em letras garrafais: sim, eu preciso e adoro cuidado. Choro ouvindo Chico Buarque, sou a típica menina dos vestidos leves e floridos, gosto de criança, canto todos os dias, leio sozinha no parque, assisto Glee, junto pessoas, só falo palavrão por costume, adoro cinema a qualquer hora, às vezes uso a bebida pra auto-afirmação, vou periódica/felizmente à igreja, sou voz e violão e só me sinto completa e viva n’um palco. Informações tão irrelevantes que nem precisava dizer, talvez ninguém acredite.
O que eu preciso fazer pra que você perceba que a minha delicadeza tá muito além do que os outros podem ver? Quanto vai demorar pra que você me observe de verdade, intuindo que eu também preciso muito de proteção? Até quando vou ter de assumir a postura ativa nisso tudo? Por quanto tempo ainda vou precisar agüentar e ser forte? Será que o destino vai continuar nos unindo "de forma irônica"? Creio que sim, mas é preciso saber o que fazer com isso. Você aproveitando essa sorte, por quanto tempo mais? Não sei, acho que vou deixar o resto do texto em branco pra que você tente responder direito e sem mil desculpas, ao menos uma vez.
...
Ah, não dá. Te deixo responder isso quando souber de verdade, o que eu sou em você. Pára de ver em mim, um exemplo. Me siga, me investigue por vontade, não por aprendizado. Entenda, sou mais passiva do que pensa, menos forte do que aparento. É que meu lado atriz sempre fala mais alto e acabo no caminho de sempre: sangue-frio. Vontade de ajudar e mania de querer resolver teus problemas mesmo que isso me coloque, inevitável e explicitamente em um patamar inferior ao das paixões arrebatadoras. Te descrevo e guio teus próximos passos como se morasse aí dentro, visualizo partes que talvez, só você conheça e me sinto feliz por ser útil. Aciono a psicóloga que existe em mim e olho pra você na minha frente, me falando novamente sobre um milhão de coisas aleatórias, mulher, álcool e uma vida onde não me insere no contexto. "Útil", é o que eu sou. Era - até hoje.
Se for pra reescrever alguma história, abandone o lápis – borracha demais pra sentimento de menos. Em mim e no meu corpo, adulto, só aceito caneta. Tatuagem definitiva. Amor e doação escritos à mão - tinta guache e lápis de cor compartilhados desde os tempos de colégio.
Tivemos e teremos várias outras pessoas que encantam e deixam marcas. Mas independente de qualquer história que apareça, o fato é: a gente se tem. Desde o primeiro dia, há dezoito anos atrás quando juntamos as mãozinhas e fomos caminhar por aí, diariamente. Isso é tão simples que, às vezes, se torna complicado d'entender. É como misturar a saudade que sinto, a vontade de estar perto mais a maturidade que tenho pra racionalizar tudo isso. É ser tranqüila o suficiente pra absorver a ausência - a idade passa, o carinho não.
E é isso: eu só deixo alguém adormecer aqui dentro desse jeito quando, de alguma forma inexplicável e bonita, vale a pena. O resto, eu jogo fora e mando embora, bato a porta e não relembro nunca mais. Contigo sempre foi diferente, você tem as chaves. Consegue entrar em qualquer cômodo de mim, sempre que quiser e mesmo que eu não autorize.
Meu menino, meu garoto, meu homem-feito. Disse que sou teu tesouro, um dos teus poucos orgulhos. E eu digo que você é parte da minha história, uma grande e singela parte de mim. Até daqui a pouco, até amanhã, até o ano que vem, eu não sei. Não importa, vamos envelhecer juntos e estaremos firmes um pro outro, um pelo outro, você me prometeu. Finjo que acredito, algum de nós vai cumprir.
Tá errado comparar personalidade forte com auto-suficiência. Por baixo dessa teimosia, a dura casca que eu cultivei nestes anos todos, desse cabelo e dessas unhas vermelhas, tem alguém que sim, também precisa de atenção. Constantemente e mesmo que não assuma, demonstre ou peça.
Algumas mulheres são assim, tentativas de mascarar algo que deveria ser explícito. Não escondemos, deixamos no ar. Não explicamos, na esperança de que, por milagre, vocês entendam e venham, simplesmente. Colo sem culpa, sem perguntas, sem ladainha. Sem riso, porque necessidade não é graça. Admitir que precisamos significa muito mais que a nudez do corpo, porque é nudez de alma.
Me despi pra você aos poucos. De todos e todas que passaram por mim, de todos os rostos que tive, nenhum foi tão certeiro quanto. Você me conhece quase inteira, sabe de cada fraqueza mesmo sem ter visto um ponto ou escrito uma linha em mim. Certas coisas são muito mais que puro corpo, repito: é preciso ser muito mulher pra acabar com os pudores internos; é essencial ser muito homem pra aceitar sem toque.
Cuida de mim, vai, eu tô pedindo. Como se eu ainda fosse aquela menina loirinha e você, aquele garotinho que queria construir o nosso castelo. Duas crianças de cinco anos fazendo planos que, mal sabiam elas, teriam longa data e curtíssima duração. Será? Pela primeira vez, abri mão do meu lado fodona pra escrever em letras garrafais: sim, eu preciso e adoro cuidado. Choro ouvindo Chico Buarque, sou a típica menina dos vestidos leves e floridos, gosto de criança, canto todos os dias, leio sozinha no parque, assisto Glee, junto pessoas, só falo palavrão por costume, adoro cinema a qualquer hora, às vezes uso a bebida pra auto-afirmação, vou periódica/felizmente à igreja, sou voz e violão e só me sinto completa e viva n’um palco. Informações tão irrelevantes que nem precisava dizer, talvez ninguém acredite.
O que eu preciso fazer pra que você perceba que a minha delicadeza tá muito além do que os outros podem ver? Quanto vai demorar pra que você me observe de verdade, intuindo que eu também preciso muito de proteção? Até quando vou ter de assumir a postura ativa nisso tudo? Por quanto tempo ainda vou precisar agüentar e ser forte? Será que o destino vai continuar nos unindo "de forma irônica"? Creio que sim, mas é preciso saber o que fazer com isso. Você aproveitando essa sorte, por quanto tempo mais? Não sei, acho que vou deixar o resto do texto em branco pra que você tente responder direito e sem mil desculpas, ao menos uma vez.
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Ah, não dá. Te deixo responder isso quando souber de verdade, o que eu sou em você. Pára de ver em mim, um exemplo. Me siga, me investigue por vontade, não por aprendizado. Entenda, sou mais passiva do que pensa, menos forte do que aparento. É que meu lado atriz sempre fala mais alto e acabo no caminho de sempre: sangue-frio. Vontade de ajudar e mania de querer resolver teus problemas mesmo que isso me coloque, inevitável e explicitamente em um patamar inferior ao das paixões arrebatadoras. Te descrevo e guio teus próximos passos como se morasse aí dentro, visualizo partes que talvez, só você conheça e me sinto feliz por ser útil. Aciono a psicóloga que existe em mim e olho pra você na minha frente, me falando novamente sobre um milhão de coisas aleatórias, mulher, álcool e uma vida onde não me insere no contexto. "Útil", é o que eu sou. Era - até hoje.
Se for pra reescrever alguma história, abandone o lápis – borracha demais pra sentimento de menos. Em mim e no meu corpo, adulto, só aceito caneta. Tatuagem definitiva. Amor e doação escritos à mão - tinta guache e lápis de cor compartilhados desde os tempos de colégio.
Tivemos e teremos várias outras pessoas que encantam e deixam marcas. Mas independente de qualquer história que apareça, o fato é: a gente se tem. Desde o primeiro dia, há dezoito anos atrás quando juntamos as mãozinhas e fomos caminhar por aí, diariamente. Isso é tão simples que, às vezes, se torna complicado d'entender. É como misturar a saudade que sinto, a vontade de estar perto mais a maturidade que tenho pra racionalizar tudo isso. É ser tranqüila o suficiente pra absorver a ausência - a idade passa, o carinho não.
E é isso: eu só deixo alguém adormecer aqui dentro desse jeito quando, de alguma forma inexplicável e bonita, vale a pena. O resto, eu jogo fora e mando embora, bato a porta e não relembro nunca mais. Contigo sempre foi diferente, você tem as chaves. Consegue entrar em qualquer cômodo de mim, sempre que quiser e mesmo que eu não autorize.
Meu menino, meu garoto, meu homem-feito. Disse que sou teu tesouro, um dos teus poucos orgulhos. E eu digo que você é parte da minha história, uma grande e singela parte de mim. Até daqui a pouco, até amanhã, até o ano que vem, eu não sei. Não importa, vamos envelhecer juntos e estaremos firmes um pro outro, um pelo outro, você me prometeu. Finjo que acredito, algum de nós vai cumprir.
Podemos relembrar o passado e planejar o futuro, mas o presente tá sendo feito. Por favor, capricha em cada detalhe, tenta avaliar esse tempo e tudo o que há nele, porque o instante mais importante é o agora. E é exatamente nesse nosso tempo tão mal-cuidado, regado a tormenta, que decido me afastar de você. Vou correr o mais rápido que puder pra te deixar um pouco sozinho, aprendendo devagar a como dar o passo n'um tempo em que eu não faço parte do caminho.
Você vai absorver tudo o que leu, sair sem pensar e bater aqui na minha porta pra conversar. Mentira, você é homem. Ok, eu tô seguindo em frente. Enxerga meu cabelo de longe porque só assim vai perceber que antes de ser qualquer coisa tua, eu sou uma mulher. Chateada, mas tentando não olhar pra trás.
Você vai absorver tudo o que leu, sair sem pensar e bater aqui na minha porta pra conversar. Mentira, você é homem. Ok, eu tô seguindo em frente. Enxerga meu cabelo de longe porque só assim vai perceber que antes de ser qualquer coisa tua, eu sou uma mulher. Chateada, mas tentando não olhar pra trás.

