Pra Ser Sincero
“[...] Não espero de você
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos...”
Engenheiros do Hawaii
Mais do que educação
Beijo sem paixão
Crime sem castigo
Aperto de mãos
Apenas bons amigos...”
Engenheiros do Hawaii
Encantamento não é paixão, mas faz estrago do mesmo jeito.
Há dias atrás imaginei como seria se. Parei a frase (e o pensamento) aí: “se”. Não sou mais mulher de suposições, são vinte e três anos de muita luta e, sinceramente, nunca gostei do “talvez”. Sempre preferi a certeza do “não”, ainda que quisesse o “sim”. Percebi que você nunca me deu um “sim” com vontade e de verdade – será que essa palavrinha existe pra nós dois?
Confesso que fujo com facilidade, você já percebeu que não sou tão forte quanto todos pensam – e pintam. Dizem que a força vem da fraqueza, venho aprendendo a lição desde Setembro que, aliás, sempre foi extremamente complicado pra mim. Uma mistura de inferno astral com irritação, vai saber. Ou eu sou mesmo maluca por trás desse cabelo vermelho e dessas unhas compridas que poderiam te matar de vez em quando.
Ok, chegamos à parte que eu tanto escondi durante esses anos todos. Uma música, um bouquet, uma palavra, um carinho, um café da manhã. Ninguém nunca soube, afinal eu tenho de manter atitudes firmes, independentes, totalmente avessa a romantismo e babaquices em rosas vermelhas. Babaquices que eu, secretamente, sempre quis.
Não te peço juras de amor nem pedidos de casamento, acho que somos adultos e o tempo dirá isso por nós. Ou (provavelmente) não. Sou calma o suficiente para que haja espera, mas mulherzinha demais para conseguir isso de verdade. Nunca te pedi nada além de respeito – mas sempre quis muito mais: atenção, abraço, cafuné e beijos, tantos beijos que me deixassem sem ar, sem fôlego, sem chão, sem forças.
Tenho você ao alcance das mãos, da voz, do abraço e do aperto, mas o único gesto que trocamos é o olhar. Acontece que olhar também despe, almeja, incita e alucina, meu caro. À frente de toda a minha postura, há o fato de que eu sou (muito) mulher e você é um homem. Não seja só mais um, quando pode ser o único. Será que você é mesmo um moleque e eu não percebi? Se, de repente, me descobrisse tão ingênua assim, acho que matava você em apenas um golpe. Certeiro, único e definitivo.
Sabe qual o maior problema disso tudo? Você também foge. Do teu passado conturbado, dos teus problemas, do mundo, da vida. Mas tua maior fuga tem o meu nome porque no fundo, aí dentro, você sabe que ninguém consegue se esconder por muito tempo de uma energia maior, seja ela qual for. E nós dois sabemos, você não vai conseguir controlar nem organizar tudo eternamente, virginiano...
Não me faça pagar por algo que aconteceu e te fez mal. Não deixe que o nosso presente conturbado interfira num futuro possível. Não me prive de partilhar o teu riso porque você tem medo de chorar depois. Não deixe de ser sincero comigo, não minta, não fique calado porque você tem o dom incrível de me deixar louca quando fica quieto. Eu quero atitude, eu quero novidade, eu quero intensidade, eu quero você comigo. Não seja idiota, não deixe que as tentativas se percam, não deixe isso virar poeira, virar nada. E não despreze os pequenos começos, a gente ainda pode ter uma história.

4 aquarelaram:
o medo de amar, é o medo de ser livre, já dizia beto guedes.
As dúvidas costuram as verdades de saber-verdade.
Ann Nothing lhe aguarda
Abz.
Voce escreve muito bem, adorei o blog.
Esse texto nos diz que ainda não amadureceu totalmente, e como eu ainda buscar algo mais.
Realmente, encantamento faz o mesmo estrago.
Me identifiquei com esse texto, e acho que por mais que todos se dizem forte ainda tem esse medo, de ser vulneráveis demais mesmo se mostrando "durões".
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