09 maio 2008

Ah, insensatez...

"...que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado..."

do Tom, do Vinicius, da Nara, da Takai



Acordou sentindo-se ridículo. E de tanto achar, teve a certeza de que estava realmente sendo. Depois de pouco ter dormido, abriu os olhos e o primeiro pensamento do dia foi dedicado à menina: seu rosto iluminado de sorriso, seu sorriso feito um sol. E os cabelos - ah, os cabelos! - longos, tão longos que Rapunzel seria pouco.
Puxa, essa menina que não lhe saía mais do pensamento, ele queria mais é tê-la nos braços. Era pena que (ainda) a tivesse em algum lugar escondido no coração. E isso, ele não queria, não queria ser um bobo. Bobo, era. Procurava a menina e seus cabelos e suas bochechas e seus sorrisos e suas mãos e sua voz em cada canto, em cada gesto alheio, em cada lembrança viva. Sabia que, um dia, a menina lhe sairia de dentro - não sabia quando, ora.
O tempo passou todo sem cores, devia ser porque a menina não estava perto e assim, todos os dias eram de frio e de chuva e de cinza. De nada adiantava o algodão-doce, os risos amigos ou a felicidade em que estava todos os dias. Alegria de verdade vem de dentro e dentro dele, a alegria só ocupava a metade. O resto era da menina e não podia ser feliz sozinho...
Esqueci de dizer, ela tinha olhos d'estrelas! E o menino orgulhava-se, porque nenhuma outra pessoa no mundo tinha olhinhos d'estrelas - estrelado era quem fosse daquela menina. Ele não era, passava os dias todos buscando seu brilhozinho encantado. Bonito, não é? Não, se as estrelas fossem de longe.
Ontem, o tal menino virou gente grande. Na cama com seus cobertores quentinhos, decidiu que, a partir daquela noite, deixaria de sonhar com estrelas: brilharia com o sol e sorriria, porque é assim que se faz coisas de amor ridículo.

E ridículo, é. Ridícula, a menina. Ridículo, esse sentimento. Ridículo seja tudo isso.

16 comentários:

Pam Nogueira disse...

Eu daria Álvaro de Campos pra esse menino ler! :)
Tu devia escrever um conto!
Bjocas =***

Camilinha disse...

Bobo, era.

E todos nós, somos.


...felizmente...


beijos daqui...

a clara menina Clara disse...

"Esqueci de dizer, ela tinha olhos d'estrelas! E o menino orgulhava-se, porque nenhuma outra pessoa no mundo tinha olhinhos d'estrelas - estrelado era quem fosse daquela menina. Ele não era, passava os dias todos buscando seu brilhozinho encantado. Bonito, não é? Não, se as estrelas fossem de longe."


deixei por aqui.
beijo!

V. disse...

.. é o encantamento de amor.
o que tô sentindo agorinha agorinha.

e pra vc, também amor.
V.

Rodrigo Carreiro disse...

E quando digo que o amor é ridículo e brega alguns dão risada...

Larissa Santiago disse...

é Rodrigoo.. é ridículo simm, mas o ser humano é ridículo! ;)

Andréia disse...

que linda postagem vc escreve muito bem.

beijo

ֹmarcos coletta disse...

li este post e por curiosidade coloquei pra tocar a takai cantando insensatez..

faz mto sentido!!

Clara Mazini disse...

Todos esses amores, ridiculamente deliciosos!

Lilah disse...

que texto lindo.
sutil e verdadeiro.

ameii!

Filipe Garcia disse...

Ridículo assim é bom ser...

encantador o seu texto, como sempre.


Beijo.

Insolente disse...

E um amor tão ridículo, que não cabe numa vida só, em palavras só...

_peron. disse...

dá pra amar sozinho, mas um amigo meu dizia que é impossível ser feliz sozinho.
dá pra sonhar sozinho, mas quando o amor tá no meio, só se sonha sonhando em tá junto.
amor é filme. piada. teatro que só acaba quando você, protagonista, roteirista, escritor e figurinista, cansa de ser espectador.

Paloma disse...

Menina com olhos de estrelas, e ele olhando para Sol, estrela que cresceu e esqueceu de onde veio. Mania de grandeza. A felicidade está nos detalhes.
Esse espaço aqui é cheio deles e quero voltar sempre.
Deixei um link lá no Tramas para não perder o caminho de volta.
Beijo carinhoso.

R. disse...

Sabe, todos os amores são clichêzentos. Não existe amor, amor de verdade, até mesmo o não de verdade, o falso, a paixonite suburbana, sem clichês. Talvez os clichês sejam a grandiosa chave da vida (amorosa?). Eu gosto.

Bem, bobo sou.

Bjs

Juliana disse...

Incrivelmente, eu tava justo ouvindo esta música quando bati o olho no post.
Ó, Nina... teu cantinho é um pedaço de céu...
Gosto muito.

beijo