13 janeiro 2008

Retroativa

Tenta alguma coisa fora de si, quando só enxergam sorrisos e ainda há vazio dentro daquela coisa coração. Não sabe se algo realmente valeu a pena, fato é que tudo ensinou e sentimentos geralmente implicam confusões. Viver implica morrer de amor e se contradições existem, são todas suas. Já não entende, não esquece, não partilha, adora negar: duas cervejas, por favor, muito obrigada! Limões fazem caipirinhas e risadas depois da noite de Revéillon, mesa de bar hoje faz arrependimento e sensação de burrice estampada no rosto branco, contrastado com todo o rubro do resto que começou Janeiro.

Ansiedade, já não mais. E nem rói as unhas, nem as vê crescer, nem deseja o esmalte vermelho, nem nada, nada, nada, não nada nada e hoje teve vontade de afogar mágoas no jardim. Chovia forte, pingos gordos caíam através da janela e o vidro embaçado sentia a respiração de alguém que vivia por aquele apartamento pequeno. No condomínio, cheiro de terra invadindo os dois andares - mora no segundo, mas não sabe direito onde vive.

Nada de nexo, e quem falou em nexo assim? Nunca existiu coerência, sentimento não é bola de futebol e ninguém merece chutes. Se existisse coesão aqui, a história não seria minha e francamente, eu estaria era bebendo cachaça na esquina. Acontece, meu bem, que pinga desce rasgando e desse jeito, eu já tenho tudo o que eu lembro. Essa coisa de beber cervejinha em bar de gente chique é pura balela, tá todo mundo com a mesma dor.

21 comentários:

Mayara disse...

todos estão na sarjeta mais só alguns conseguem ver as estrelas antonina!

Patrícia H. disse...

Treli o texto, dona Nina, e tive que remexer na estante dos livros pra poder encontrar algo que fizesse sentido-além.

Encontrei num poema d'ode mundana os versos que podem servir como chave pro teu escrever:

"como não doer na queda da chuva?
como não vestir a túnica da desolação?"


E como não suspirar ao teu lado e apenas concordar num silêncio embalado de fumaça e branca resignação?

Uma smirnoff, que a gente merece, vai!

Lais Mouriê disse...

A retroativa mais linda e mais doída que li nesse fim de ano... ai, minha maga das palavras que machucam e alegram!

Bjos lindos

Riciuz disse...

Está todo mundo com a mesma dor...
Belos pingos gordos de tinta preta nesta sua metadinha ^^

Juliana disse...

ogartseodèotsogue

=]

a clara menina Clara disse...

eu já vim aqui dias atrás e estou voltando agora, as palavras ainda não chegaram.
eu vivi cada fonema desse texto, juro.

você é foooooda, fato.

beijo

Thaís disse...

"pingos gordos caíam através da janela e o vidro embaçado sentia a respiração de alguém que vivia por aquele apartamento pequeno"
Pingos gordos...pesados demais.

Vc tenta, tenta, tenta explicar pq ama desse jeito. mas vc dá voltas e voltas e mais voltas e percebe q não conseguiu sair do lugar e nem conseguiu com palavras falar nada, dizer nada, contar nada.
e vc tenta de toda maneira possível contar pro mundo q 5 minutos são suficientes pra se perder em sorrisos e piadinhas sonsas, entre pensamentos marcianos e gargalhadas parisienses. mas não, vc nunca vai conseguir expressar nada.
pq isso tudo é puramente inexplicável.

bjo

Jéssica V. Amâncio disse...

'tá todo mundo com a mesma dor'
nossa, adorei e o texto. essa coisa de disfarçar em mesa de bar. adorei.adorei o modo de você escrever =]
vou te linkar no meu blog para vir sempre aqui ok?tem problema?
beijos.
e a chuva de pingo de alivios, estou esperando.^^ obrigada pela dica, vou ser mais atenciosa. rs

Priscila Petrarca disse...

"Nada de nexo, e quem falou em nexo assim? Nunca existiu coerência, sentimento não é bola de futebol e ninguém merece chutes. "
Adorei!
vou te linkar certo? gostei muito mesmo do que você escreve!
beijos! :*

Priscila Petrarca disse...

aaah que bom que você gostou! Ainda estou começando nessa coisa de escrever em blogs, ainda tenho muito a melhorar!
adoro, adoro seu blog! :*

enailuj disse...

exato, todo mundo com a mesma dor. Deveria ser o mesmo bar, e a cerveja então deveria ser de graça!

voltei de Curitiba domingo, pretendo ir muitas vezes - sabe, tenho um motivo a mais que me faz chorar e dá saudade. Quem sabe a gente se esbarra por aí, do outro lado da rua. :)

Mr. Ziggy disse...

Parece que tem muito de mim aí. Tantas coisas que a gente controla pra dizer, tantas coisas que a gente despista, mascara, porque a sociedade nos ensina a ser "discretos", sendo que tem horas o bom é soltar tudo da forma mais catártica possível, de modo que consigamos purgar a alma. Isso tem um pouco a ver com a cachaça, desce rasgado e queima. O sentimento que ebule às vezes poderia sair rasgado, queimando... Isso faz bem. Que se dane a coesão, a coerência, tem hora que o bom é chutar o balde, se jogar e nemli como diz a Nathália d'Ávila. Interessante seu texto! Abreijos!

Filipe disse...

Gostei muito. Você tem poesia e brinca com as palavras. Gosto porque me lebra Rubem Alves e as coisas boas da vida. O texto é triste, certo; mas toda tristeza tem sua beleza. Sim, todo mundo partilha a mesma dor. Essa dor que insisite...

Abraço

Clara Mazini disse...

Isso é bonito demais. E não precisamos entender, só deixarmos as coisas irem acontecendo e surpreendendo a gente... :)

Ju disse...

nossa, parece q tu tá falando de mim! e me ver de fora assim até alivia o coração... lindas palavras, querida!
beijos e feliz ano novo, cheio de arte e poesia para ti!
:)

juba disse...

respondendo a um comentário que vc ja fez faz um tempo lá no Camelos Lendo... Aquele texto do cario é o mais especial de todos pra mim. É o que eu mais gosto.

Beijo, juba

juba disse...

caio*

thai disse...

'Essa coisa de beber cervejinha em bar de gente chique é pura balela, tá todo mundo com a mesma dor.'

uma vez me disseram que o bom da dor é que a gente pode ir beber num boteco da vida e só alí conseguimos sentir o cheio que sai do ralo.

saudade dos teus dizeres, nina!

beeeijo

Diego Zerwes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bruna Mariano disse...

realmente, no fundo, rico ou pobre, sentem a mesma dor do amor ou não sente dor nenhuma né!

Adoro seu blog!

bjoo

Claudia Lis disse...

“tá todo mundo com a mesma dor”. Meu comentário se concentra nessa frase. Disse tudo Nina! E juro que ultimamente tenho visto exatamente isso nos blogs.

Sabe Nina? Imagino seus textos como uma música sem refrão. Ela está ali, cuspindo as palavras, uma atrás da outra sem parar, mas, sobretudo é uma música e cai bem para os ouvidos. É a sensação que me dá. E em especial lembra-me a minha banda do coração, Cowboy Junkies.

Beijo Ninoca